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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tim Walker e Mel Bochner em Londres


Está aberta a retrospectiva do artista plástico Mel Bochner, na Whitechapel Gallery, em Londres. A exposição, que segue seu rumo para Munique e depois para o Porto, no ano que vem, traz tanto trabalhos recentes como alguns dos mais icônicos de sua carreira.

“Blah Blah Blah”, de 2011, é o primeiro quadro a dar as boas-vindas, embora a repetição das palavras em letras garrafais deixem a dúvida se o artista quer mesmo deixar o visitante entrar. As cores vibrantes, no entanto, soam convidativas - ou seriam mais um sinal da saturação do artista?

Blah Blah Blah, 2011
Em um espaço reservado no chão, quatro aglomerados de jornal pintados com tinta azul montam, desmontam e remontam a forma do quadrado, na obra “Theory of Painting”, de 1970. 

Theory of Painting, 1970
Mas nenhum outro trabalho de Bochner despertou mais a minha curiosidade que “Misunderstandings (A theory of photography)”, de 1970. No quadro, nove retângulos de papel trazem nove citações diferentes, todas relacionadas ao significado da fotografia. Dessas nove, porém, três são falsas. No canto do quadro, o que parece ser o negativo da polaroid “Actual Size (Hand)”, de 1968, é mais uma indicativa da contradição da obra: polaroids não tem negativos, deixando no ar a dúvida quanto a veracidade da imagem fotográfica. 

Partes soltas de "Misunderstandings - A theory of Photography", de 1970
Sobre esse trabalho em particular, Bochner explicou que, por volta de 1967, percebeu que seu trabalho estava se aproximando cada vez mais do universo fotográfico. Na intenção de entender um pouco mais, começou a pesquisar o que já tinha sido dito sobre o assunto, mas surpreendeu-se ao achar tudo uma “baboseira”. Então começou a tomar notas de tudo o que julgava “mal-entendido”, mas ainda não sabia como transformar as citações em trabalho. Foi depois de algum tempo tentando ter as frases publicadas que Bochner recebeu um convite de Marian Goodman, em 1970, para expôr o trabalho. 

A discussão sobre o que é, foi ou deixa de ser fotografia continuou em uma outra galeria de Londres, durante a exposição  “Tim Walker: Story Teller”, na Somerset House. O fotógrafo é mundialmente conhecido pelas imagens oníricas, de cores apasteladas e objetos gigantes que vem colorindo as edições da Vogue, Vanity Fair entre outras, mês após mês, há cerca de uma década. A exposição traz algumas das fotos mais recentes da carreira do artista e é acompanhada pelo lançamento do livro pela editora Thames & Hudson, cujo título é o mesmo da exposição.

Nas paredes da Somerset, algumas reflexões do próprio Tim não deixam “mal-entendidos”, como as citações de Bochner, embora também passe longe de tentar "definir" o que é ou deixa de ser o objeto fotográfico:  "Para mim, a fotografia é muita mais forte quando a ideia é sugerida, ao invés de algo definido. Quando a ideia já está definida, não tem muito para onde a imaginação correr".

Estão também disponíveis partes do cenário de alguns de seus ensaios, como o avião de madeira quase em tamanho real do tipo “Spitfire”, que abre a exposição.  O set para a Vogue inglesa, edição de 2009, foi inspirado no filme “A Matter of Life and Death”, um clássico de 1946. Também fazem parte da visita um boneco gigante, um barco de madeira em forma de cisne e algumas outras “invencionices” que compõem seus cenários. Coisas que não teriam lá muito apelo em outra exposição - mas é que aqui, no mundo de Tim, tudo fica especial.

A modelo Lily Donaldson e o avião Spitfire, 2009

A réplica do avião Spitfire, quase em tamanho real, na Somerset House
Também um vídeo de não mais de 15 minutos trás uma compilação de making-offs, fashion films e pura poesia em alguns de seus sets mais recentes, tendo como ponto-alto Tim dirigindo os cinco cavalheiros remanescentes do Monty Python, durante uma sessão de fotos para a Vanity Fair, em 2009.

Os cinco Monty Python para a Vanity Fair, em 2009
Acompanho o trabalho do fotográfo há uns bons anos e devo admitir que tinha começado a achar  tudo um pouco cansativo. Parecia que ele tinha encontrado a “fórmula mágica” e vinha usando os mesmos artíficios desde então. Mas me surpreendi ao encarar um Tim Walker em progresso. Muitas de suas fotos mais recentes trazem menos elementos, mas sem perder a áurea fantasiosa dos trabalhos anteriores. O ensaio com a modelo Agyness Deyin (link abaixo), na Namibia, em 2011, é um exemplo da entrada de Tim no mundo adulto: fantasia, mas na medida. 


Também destacaria os portraits como um dos pontos altos da exposição: Alexander McQueen e Tilda Swinton, entre outros, ganharam um toque (sutil) de magia sob as lentes do fotógrafo. 

Alexander McQueen, em 2009
Tilda Swinton para a W Magazine, em 2011

Para aqueles que estarão de passagem por Londres nesse fim de ano, a exposição de Mel Bochner fica até 30 de dezembro, e a de Tim Walker até 27 de janeiro do ano que vem. Mais informações em http://www.whitechapelgallery.org/exhibitions/mel-bochner-if-the-colour-changes (Bochner) e http://www.somersethouse.org.uk/visual-arts/tim-walker-story-teller (Tim Walker)

domingo, 21 de outubro de 2012

Minhas 10 donzelas nada em perigo

Depois de escrever sobre a nova donzela em perigo, nada mais justo do que fazer uma menção às minhas personagens favoritas. Fazer uma lista é sempre complicado: essa reflete basicamente o meu estado de espírito atual e provavelmente seria bastante diferente daqui a alguns meses – ou alguns meses atrás. Então, eis a primeira parte do meu...




...TOP 10: personagens femininas.

10. A pistoleira
Não basta ser mulher: tem que ser jovem, negra, não ter as duas pernas e viver nos anos 60 americanos. Susannah Odetta Holmes (A Torre Nega, Stephen King, 1982-2004) não só consegue sobreviver a esse quadro nada favorável, como sobrevive também a um mundo com demônios, trens assassinos, espíritos malignos, aranhas gigantes, vampiros, feiticeiros e robôs mentirosos – tudo isso em uma cadeira de rodas.





9. A bailarina
Ahiru é uma estudante em uma escola de balé, que sofre na mão de seu professor-gato (literalmente, do tipo que mia e arranha coisas) pela falta de talento para a coisa. Mas na verdade, ela é uma excelente bailarina – ou pelo menos sua identidade secreta, a Princess Tutu é (Princess Tutu, Ikuko Itoh, 2002-2003). Tutu tem uma missão: recuperar as partes do coração de um príncipe, que foram espalhadas pelo mundo quando ele selou um grande demônio corvo. Se Tutu é a dançarina delicada e graciosa que não faria feio em palco algum (ainda que destemida), Ahiru é destrambelhada e péssima com as palavras – e extremamente adorável. A história, voltada para um público assumidamente infantil, não impede que ela seja igualmente apreciada por quem já “passou da idade” - afinal, quem não gosta de um pas de deux?


8. A mãe
Ter sete filhos não deve ser moleza. Se dois deles forem Fred e George, o desafio deve ser o dobro. E, mesmo assim, todo mundo só parece se lembrar dos dotes de tricô ou de culinária de Molly Weasley (Harry Potter, J.K. Rowling, 1997-2007). Ok, ela é a grande figura maternal de Harry Potter, e é na casa dela que Harry vivencia, pela primeira vez, o que é realmente viver em família em um lar. Ah, e ela ainda vai com a família para a maior batalha bruxa dos últimos tempos e, mesmo depois de perder um dos filhos, ainda mata Bellatrix Lestrange. Nada mal...



7. A chapeleira
Tenho uma teoria de que todo mundo tem um Myiazaki favorito – você só não descobriu ainda. O meu é O castelo animado de Howl (Hayao Myiazaki, 2004). E sim, eu sei que tecnicamente não é 100% Myiazaki e que, já que vou colocar a origem na lista, deveria ter colocado “Diana Wynne Jones”. Mas é da interpretação do filme que estou falando, e é dessa Sophie Hatter que eu gosto. Gosto de quão delicada e suave ela é, e o quão corajosa ela não deixa de ser por causa disso. Se ser transformada em velha ainda não fosse o bastante, ela ainda conhece um bruxo com fama de comer o coração de donzelas e um demônio feito de fogo. E não tem medo de nenhum dos dois.


6. A líder
Exímia espadachim e uma ótima atiradora, Integra Fairbrook Wingates Hellsing (Hellsing, Kouta Hirano, 1997-2008) é chefe da organização secular que leva sobrenome de sua família, submetida à própria rainha da Inglaterra, especializada em caçar vampiros, ghouls e outras criaturas do gênero. Sua arma mais poderosa e mais confiável não é nem sua espada nem sua pistola: sob seu comando, ela tem ninguém menos que Alucard, também conhecido como conde Vlad, o empalador. Com um senso de honra e dever dignos de cavaleiro arturiano, Integra tem a nada fácil tarefa de controlar seu psicopata particular enquanto lida com a dupla ameaça do Vaticano e de vampiros artificiais criados por nazistas.


5. A espiã
No início do filme, ela recebe uma ligação, no meio de um trabalho e...Os Vingadores (Joss Wheedon, 2011) são formados. Natasha Romanoff – ou a Viúva Negra – está cercada de coisas bem maiores do que ela, como um herói da Segunda Guerra encontrado no gelo polar, um trilhardário super-inteligente, um monstro verde gigante e um deus, e ela nunca perde a compostura. Aliás, nem com uma perna quebrada ela para. Isso sem contar que, aparentemente, ela é a única capaz de trapacear o próprio deus da trapaça.



4. A super-heroína
Confesso que conheço provavelmente 1% do mundo dos quadrinhos, e seria covardia tentar encontrar uma heroína no mundo DC. A minha escolha é a Mulher Gavião (Liga da Justiça, 2001-2004) – e não a Mulher Maravilha. (Aliás, a DC poderia tentar variar um pouco mais esses nomes, não? Enfim...) Ela é cabeça quente e acha que não há problema que não possa ser resolvido ou informante que não possa ser coagido pelo mero uso da força. Com esse kit nem um pouco “tradicional”, ela não fica tão longe de outras, inclusive de sua colega amazona. Por que ela ganha? Em um episódio, quando a Mulher Maravilha cogita que o mundo, de fato, poderia ser melhor sem homens, a resposta da Mulher Gavião é precisa: Não critique até ter experimentado, amiga. Com atitude e sem medo de ser feliz.


3. A vilã
Fora do papel de madrasta, parece que as vilãs são raras. As do tipo que têm um histórico e desenvolvimento ao longo da série, mais raras ainda. E então aparece Azula (Avatar: a lenda de Aang, 2005-2008), a filha favorita do Senhor do Fogo. Supostamente, seu pai é o grande vilão da história, mas é com ela que eu me preocuparia: ela é uma mestre do fogo excepcional. Você conseguiu cancelar isso? Ela é uma ótima lutadora? Conseguiu imobilizá-la? Ninguém é melhor manipulador do que ela. Além de ser uma ameça tripla, Azula ainda tem duas melhores amigas e fiéis escudeiras praticamente ninjas. Ela não quer o segredo da beleza eterna; ela quer algo simples, básico e facilmente compreendido: ser a justa herdeira de seu pai...depois de matar seu irmão e todos aqueles que significarem qualquer tipo de resistência a ela, é claro.


2. A mecânica
Ela tinha tudo, tudo para dar “errado”: a adolescente loira de olhos azuis que aparece mais do que frequentemente com tops curtíssimos e é o interesse romântico do protagonista (ainda que ele não saiba disso desde o início). Mas Winry Rockbell (Fullmetal Alchemist: Brotherhood, 2009-2010) faz jus ao elenco e à história na qual está. Desde criança, ela demonstrou um talento excepciona para a mecânica dos automails (as próteses de metal que substituem membros – e que são abundantes) e é ela quem cuida da perna esquerda e do braço direito de Edward quando os aparelhos se desfazem (literalmente, algumas vezes). Mais do que mecânica, ela se coloca em situações terríveis (como se deixar ser capturada por um psicopata) porque sabe que aquilo será útil aos heróis. Além disso, ela é órfã de guerra e já teve sua cota de mortes vistas cumprida há tempos, e ainda assim consegue ser otimista, divertida e carinhosa – especialmente em um mundo onde parece que essas virtudes não têm mais lugar.


1. A vampira
Anno Dracula (Kim Newman, 1992) está no meu top 5 livros favoritos – e definitivamente é minha história de vampiros favorita. Geneviève Dieudonnée é uma senhora de 600 anos presa em um corpo adolescental em uma Londres onde – o horror! - Dracula não só sobreviveu ao final do romance de Stoker como se casou com a rainha da Inglaterra. E onde prostitutas vampiras começam a aparecer mortas pelas mãos de Jack o Estripador. Geneviève se envolve nessa trama para tentar solucionar o mistério dos assassinatos e acaba conseguindo bem mais do que esperava no meio tempo. Tudo que você pode esperar em uma heroína vampira em um livro doido como esse: mesmo em seus momentos mais tenros, Geneviève é assustadora, ou estranha, ou simplesmente perigosa.

Menção honrosa: praticamente todo o elenco feminino de Fullmetal Alchemist poderia estar nessa lista. No final das contas, tentei colocar apenas uma representante de cada obra/franquia, para tentar manter a brincadeira mais variada.

Críticas? Sugestões? Discordâncias? 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Radiohead em Strasbourg


Faz dois dias que assisti ao show do Radiohead e acabo de voltar a Londres, onde comecei recentemente meu mestrado. Aproveitei a passagem pela França para jantar com dois companheiros do Aventura de Ler, Juliana Giglio e Caio Santiago, que após lerem minha saga, me acusaram de “fanática” e “tiete”.  Como comecei o post anterior afirmando nunca ter sido “tiete de banda”, aqui vai a minha justificativa (depois, claro,eu conto do show!):

Escolhi o Thom Yorke como objeto de estudo para o meu projeto de graduação de faculdade, em 2011. Não só por causa da música, que na época eu mal conhecia, mas como pesquisava artistas que dialogassem com a causa ambiental, fiquei interessada ao saber que ele era vegetariano e que a banda tinha lançado o In Rainbows, em 2008, na internet, disponibilizando o CD para download. Mas foi após assistir ao documentário Meeting People is Easy, filmado durante a turnê de OK Computer, em 1998, que eu realmente me interessei pela banda.


O documentário começa com a música Fitter Happier (“Melhor Encaixado E Mais Feliz”) ao fundo, enquanto uma câmera se move mostrando os trilhos do trem, em preto e branco, lembrando as primeiras cenas de Zentropa, de Lars Von Trier. A relação entre Thom Yorke e Lars me deu arrepios. A letra de Fitter Happier descreve a rotina de uma pessoa convencional, e poderia ser uma letra convencional se não fosse o piano dramático ao fundo e o próprio fato de estar sendo cantada pelo Thom - pessoa nada convencional. 

Ao contrário do que o título da música poderia sugerir, grande parte das letras da banda abordam temas como existencialismo e alienação. Muitas questionam o relacionamento das pessoas com a tecnologia, especialmente em OK Computer, o que só fez aumentar o meu interesse pela banda. Mas como o autor de Radiohead and Philosophy coloca, “mesmo com essa visão suspeita da tecnologia, Radiohead mantém credibilidade especial nessa área pela forma como incorporam ferramentas tecnológicas de maneira criativa”. Apesar do sentido “introspectivo”, “depressivo” e por vezes “alienado” atribuídos às letras da banda, Radiohead é uma banda atual.

A mistura da banda com a modernidade fica ainda mais evidente ao vê-los tocar. A turnê de 2009, que os levou ao Brasil, foi surpreendente pelos efeitos de iluminação no palco, que misturava elementos cenográficos à LEDs coloridos, desenvolvidos especialmente para os shows. Segundo o gerente de produção da turnê, Richard Young, o sistema foi pensado para economizar o máximo de energia possível, dando às apresentações uma pegada mais “ambiental”. 

A turnê de divulgação do King of Limbs, essa de 2012, não usou o mesmo sistema de iluminação, mas também não deixou de contribuir com algumas iniciativas ecologicamente responsáveis. Ao entrar na cúpula alaranjada que é o Zénith, a casa de shows em Strasbourg, a primeira imagem que vi foi um urso polar de pelúcia em tamanho real, em um stand montado pelo Greenpeace que recolhia assinaturas para a campanha Save the Artic. Um vídeo colaborativo entre Yorke e o Greenpeace, com narrativa de Jude Law, lançado em julho, mostra um urso procurando comida nas ruas de Londres e chama a atenção para o derretimento das calotas polares:



(se alguém quiser assinar a petição, eis o site: http://www.savethearctic.org/
não custa nada, vai. Os ursos são fofos e merecem a nossa atenção.)

Tanto as camisetas oficiais da banda, que também estão disponíveis no site, quanto a cerveja que é vendida no bar refletem os princípios da banda. Todas as peças são feitas com algodão orgânico e poliéster reciclado, e para cada bebida servida, o espectador deixava um euro pelo copo, que podia ser reutilizado ao longo do evento e devolvido ao final do show.

A instalação usada para o palco refletia mais uma vez a intimidade da banda com a tecnologia. Um sistema super elaborado composto por 12 telões se movia nos intervalos das músicas e trazia a cada instante um novo olhar sobre os agentes do palco. 








Assim como na turnê do In Rainbows, em 2009, o sistema foi desenvolvido exclusivamente para a banda, mas dessa vez a inovação teve custos mais altos: durante a montagem do show em Toronto, em julho, um dos técnicos de palco foi atingido e morto quando parte do cenário despencou. O sistema teve que ser revisto e reconstruído num prazo apertado de 30 dias!

Tragédias à parte, devo dizer que, se é que isso é possível, o show excedeu qualquer expectativa. Não só pela qualidade visual mas pela precisão com que cada acorde era tocado ou cada nota da voz do Thom era pronunciada. No final, após quase duas horas e meia de show e 2 biz, a banda fechou sua apresentação com um mashup de “Untravel”, da Bjork, “Everything in its right place” e “Idioteque”. Thom, Colin Greenwood, Ed O’brien e Phil Selway deixaram o palco, menos Jonny Greenwood, que ficou sentado no chão, curvado sobre sua guitarra enquanto, para minha tristeza, soavam os seus últimos acordes. 

Aproveitando o momento “tiete” (Ok, Ju e Caio, vocês venceram), aqui vai a set list e vídeos (tirados do youtube) do show:

1. Lotus Flower 2. Bloom 3. 15 Step 4. Kid A 5. Staircase 6. I Might Be Wrong 7.The Gloaming 8.Separator 9.Videotape 10.Nude 11.Ful Stop 12.Reckoner 13.Planet Telex 14.There There 15.Feral 16.Bodysnatchers

Biz Número 1:
17.Give Up the Ghost 18.Exit Music (for a Film) 19.Weird Fishes/Arpeggi 20.Morning Mr. Magpie, 21.Street Spirit (Fade Out)

Biz número 2:
23.The National Anthem, 24. Untravel (Bjork) ->Everything in Its Right Place -> Idioteque

                                                                           




 ... e a melhor parte do show, na minha opinião:






terça-feira, 16 de outubro de 2012

From Strasbourg, France.



por Mariana Negreiros, direto da Fança.

Nunca fui tiete de banda. Mesmo. Nunca esperei em cadeira de plástico na porta do Metropolitan para assistir ao show dos Hamson, ou virei a noite tentando comprar um ticket online pro Planeta Terra. Mas, em junho, quando li sobre a turnê do Radiohead na Europa, não hesitei um segundo antes de comprar dois ingressos. Fiz isso antes mesmo de ter passagem de avião (na época eu estava planejando minha mudança para Londres, que aconteceria em setembro) ou mesmo companhia. Infelizmente, os ingressos para o show em Londres já estavam esgotados (malditos tietes). Mas, para meu alívio, os europeus ainda não tinham o monopólio sobre todos os ingressos da Europa e eu consegui comprar para o show em Strasbourg, na França, para o dia 16 de outubro.

Pulei um pedaço da história. Esqueci de contar por que, afinal, eu queria tanto ir nesse show. Afinal, eles estiveram no Rio em 2009. Acontece que eu não fui ao show em 2009 e mal conhecia a banda naquela época. Mas para meu projeto de conclusão de faculdade, em 2011, escolhi o vocalista da banda, o Thom Yorke, como objeto de estudo. Tinha desenhos e fotos relacionados à banda por toda parte. Lia sobre ele, dormia e acordava com esse cara. Eu tinha que ir nesse show.


Estou dentro de um trem agora, sentada ao lado de meu amigo ganhador do “ingresso número 2” a caminho de Strasbourg. Ele está dormindo, e eu escuto música enquanto digito esse texto. Adivinha o que estou ouvindo?  (Faltam 6 horas para o show.)

Na saída do show, eu conto mais - me aguardem.
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Férias culturais (parte 2)


Acabou que a segunda parte das minhas férias foi inteiramente tomada pelos filmes (quem me conhece sabe que isso não chega a ser uma surpresa) e pelo Festival do Rio. Assisti alguns, soube de outros, mas escolhi falar desses três: Looper, The Cabin in the Woods e Moonrise Kingdom.

Looper, em cartaz nos cinemas da cidade, é mais um filme de viagem no tempo, mas o diretor Rian Johnson, que dirigiu Brick (ótimo filme policial noir dentro de uma High School), conseguiu executar o trabalho com bastante competência mais uma vez. É muito difícil um filme que fala de viagem no tempo não ter alguns furos em seu roteiro mas, mesmo assim, a história continua interessante e resulta num ótimo filme.

Em 2072, quando a máfia quer se livrar de alguém, o alvo é enviado 30 anos no passado onde um assassino (Looper) está experando para dar fim no trabalho e se livrar do corpo. As coisas se complicam quando Joe(Joseph Gordon- Levitt) excelente no papel, é designado para esse serviço e quem aparece é o seu eu 30 anos mais velho (Bruce Willis). O Joe 30 anos mais velho consegue fugir, resultando em uma série de problemas para o jovem Joe.

Looper é recheado de clichês, mas o filme conta com ótimas atuações, efeitos bem usados e quando Bruce Willis, vestido com uma roupa muita parecida com a que usou em Pulp Fiction, segue para resolver tudo com as próprias mãos, é impossível não dar aquele sorrisinho de canto de boca e pensar: “Yppie-Kay-Yay Motherfucker!” (Quem viu Duro de Matar sabe do que estou falando).



Em Moonrise Kongdom, logo no primeiro frame, percebemos que é um filme de Wes Anderson. Sua palheta de cores está lá e o modo como ele apresenta os personagens também, que conta, como sempre, com um casting estelar - dessa vez com a presença de Edward Norton, Frances Mcdormand, Bruce Willis, seu colaborador cativo Bill Murray e um ótimo elenco infanto-juvenil.
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Moonrise Kingdom conta a história de Sam e Suzy, interpretados pelos novatos Jared Gilman e Kara Hayward. O jovem casal é uma espécie de Anna Karina e Jean Paul Belmondo em Pierrot Le Fou e, assim como o famoso filme de Godard, a história de Wes se passa em 1965. Os personagens principais são fugitivos.

Numa ilha imaginária chamada New Penzance, Sam Shakusky é um órfão que está num acampamento de escoteiros de verão, chamado Ivanhoé. Suzy Bishop vive do outro lado da Ilha com seus pais advogados e seus três irmãos mais jovens, numa casa chamada Summer's End. Os meninos se conhecem previamente numa apresentação teatral na igreja local e eles continuam essa amizade através de cartas ao longo do ano. O grande plano dos dois é se reencontrar para fugirem juntos.

A deliciosa aventura consegue arrancar risos e até lágrimas dos mais sensíveis, tudo isso com uma estética bem autoral e jeito de contar uma história que só Wes Anderson consegue. Vale a ida ao cinema.


Agora, O Segredo da Cabine, ou The Cabin In The Woods talvez seja um dos roteiros mais criativos deste ano. Exibido nesse último Festival do Rio, e apesar do filme transitar pelos estereótipos de um filme de terror comum, o diretor e roteirsta Drew Goddard até então conhecido por participar da série Lost e de filmes como Cloverfield, conseguiu em seu primeiro filme algo que parecia impossível para os filmes do gênero: originalidade.

Quando comecei a ver o filme, não tinha expectativa alguma,mas, com o desenrolar da trama, a surpresa foi ficando cada vez melhor (o que rendeu outras sessões e, sim, já vi três vezes e poderia ver mais algumas).

O filme começa com cenas que parecem ser em algum laboratório e um grupo de cinco amigos se preparando para passar o final de semana na tal “cabine na floresta” que o primo de um dos personagens acabou de comprar. Os clichês do filme começam mais ou menos por aí,o grupo é composto do bonitão, a gostosa, o inteligente, a amiga puritana e o maconheiro. Até a chegada da tal casa, o mais óbvio vai acontecendo, tudo aquilo que você, fã de filmes de terror, está careca de ver, mas CITW toma rumos diferentes e seu final é simplesmente catártico. Não vale a pena contar mais da história e sim correr para assisti-lo quando entrar em cartaz.

CITW é super bem executado, inteligente,engraçado, mórbido, diversão da boa garantida.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Noite Branca

Esse último final de semana em Paris foi o final de semana da Nuit Blanche - quando vários espaços (públicos ou privados) são invadidos por instalões e performances de arte contemporânea, além da presença dessas mesmas "manifestações" em locais abertos (como o alto de prédios e as margens do Sena). Já tinha lido sobre o evento algumas vezes, e nas últimas semanas os cartazes sobre ele se multiplicaram pelo meu caminho - no metrô, no ônibus, pelas ruas... Como o programa é meio "típico" e 0800, resolvemos desbravar a noite parisiense. Só não contávamos com a chuvinha chata que não deu trégua até quase meia-noite. 

Fomos à Maison de la Culture du Japon à Paris, onde vimos a instalação Tokyo by Night – Sleeping Beast, do artista plástico Motomichi Nakamura, com uma cidade moderna sendo habitada por monstrinhos fofos, como uma lesma gigante sendo atacada por um monstro gigante engatinhador - tudo usando só branco, vermelho e preto. Apesar de curtinha, a animação era uma graça!


Depois, no teatro nacional de Chaillot, a projeção de The Clock, de Christian Marclay, que montou um relógio cinematográfico que funcionou durante 24 horas (das 18h de sábado às 18 de domingo), criado a partir de incontáveis trechos de filme e séries, mostrando relógios ou projetando cenas de ação ou mesmo de diálogos tratando do passar do tempo. Confesso que não ficamos muito - estávamos atrás de outra mostra que teria ali perto, mas que aparentemente foi cancelada por causa da chuva.

Saímos do teatro no Trocadéro, atravessamos o Sena e fomos ao Musée du Quai Branly. Lá - como em vários outros lugares da cidade - o terraço estava excepcionalmente aberto. Com as luzes coloridas instaladas e uma vista da Torre Eiffel logo ali do lado, foi uma das coisas das quais mais gostei.


A Escola Nacional Superior de Belas Artes abrigou duas pequenas mostras. Ao chegar, o visitante era recebido pela exibição de filmes tratando sobre a aceleração do tempo e da vida no mundo quotidiano. Mais adiante, Urs Fischer colocou seus manequins de cera – verdadeiras velas em tamanho real, que se autoconsumiram a noite inteira.


De uma experiência de efemeridade a outra, fechamos a noite com o pátio dos Arquivos Nacionais, pertinho de casa, com a instalação Bubble Me, de Antoine e Nicolas. Lá, máquinas sopravam sem parar bolhas de sabão, que ficavam ainda mais feéricas graças ao jogo de luz instalado no jardim. Músicas completavam a experiência, e voltei para casa com bolhinhas de sabão e What a wonderful world na cabeça.