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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Monster High: os freaks da nova geração


Logo que as bonecas de Monster High, franquia da Mattel criada em 2010, chegaram ao Brasil, minhas sobrinhas começaram a pedir para ganhar de presente. Na ocasião, achei curioso aquelas bonecas que pareciam um cruzamento da Família Addams com Barbie, também da Mattel, mas não dei grande importância.  Só achei interessante a sacada da empresa, grande fabricante de brinquedos, perceber o interesse que personagens de terror despertavam em garotas pré-adolescentes.  Até então, só havia percebido brinquedos com esta temática para meninos.

Cruzamento de Barbie com Família Addams...

Percebi também que o sucesso das bonecas foi bem maior do que eu esperava – para mim, era uma moda passageira que só iria durar um verão.  Mas, minhas sobrinhas começaram a pedir de presente não apenas as bonecas, mas roupas, revistas, posters, bolsas e os mais variados apetrechos estampados pelas bonecas em um estilo gótico de boutique.  Nem as revistas em quadrinhos chamaram minha atenção, pois suas capas pareciam emular as capas de revistas típicas de adolescentes, com manchetes sobre moda, namoro ou comportamento.  Foi só quando uma delas ganhou um livro, um romance baseado nas bonecas, que o fenômeno foi captado pelo meu radar.

O 1º livro da série
Escrito por Lisi Harrison, que desenvolveu projetos para a MTV americana e criou “Alfas”, uma série literária para adolescentes bem sucedida já lançada no Brasil, o livro tinha quase 400 páginas. Eu achava que, hoje em dia, essa quantidade de páginas deveria ser um obstáculo intransponível para garotas entre 11 e 15 anos, acostumadas com o imediatismo das redes sociais e a comodidade de filmes e seriados de TV baixados em seus computadores. O fato da ID Editora já ter lançado por aqui quatro livros da série felizmente prova que eu estava errado. Confesso que não li o livro de minha sobrinha – minha pilha acumulada de material para leitura está grande o suficiente – mas dei uma folheada em alguns capítulos e gostei da qualidade do texto. Uma nova geração de leitoras deve estar sendo formada com a série.

Mas a proposta por trás de Monster High me conquistou depois que vi os seriados de animação baseado nas bonecas – veiculados na internet e na TV – e entendi o contexto em que suas aventuras acontecem. Monster High é uma escola de Ensino Médio onde estudam os filhos de monstros clássicos de Terror: Drácula, Lobisomem, Múmia, Frankenstein, Zumbi, Fantasma da Ópera, Abominável Homem das Neves, entre outros. A série aborda todos os clichês de aventuras desenvolvidas num ambiente como este: os namoros, as típicas dificuldades que os jovens têm em interações sociais, os conflitos entre os mais populares e os que não têm prestígio, o interesse pela moda etc. A série, porém, tem dois grandes diferenciais.


O primeiro deles é seu foco em como os estranhos, os freaks, precisam lutar para serem aceitos pelo que são, sem que precisem mudar para poder integrar a sociedade ou ser parecidos com os normais – chamados pelos alunos da Monster High de “normies”. Eles estabelecem sua própria noção de estética, a partir de suas características e da criação de cada um e não procuram se adequar ao que é dito pela moda. Como diz um dos slogans do produto, “o legal é ser diferente”. Neste ponto, as bonecas de Monster High transitam no extremo oposto do padrão estabelecido há mais de 50 anos pela mesma Mattel com a Barbie: uma boneca que sempre acompanhou a moda e foi modelo da garota perfeita, seja pelo seu físico, pelas suas atitudes ou por tudo que ela possui – casas, carros e objetos que despertam o desejo de suas donas.  Barbie é um único exemplo a ser seguido, um personagem que não possui um contexto claro por trás de si – tanto que os longametragens de animação que estrelou são em geral independentes entre si, sem uma narrativa que os une. Enquanto isso, cada boneca de Monster High possui sua própria história, personalidade e gostos e seu universo de aventuras é coeso, estabelecendo maior identidade com seu público. Não é a toa que, depois que entrou na onda das garotas da Monster High, minhas sobrinhas não querem mais saber das princesas da Disney, sempre perfeitas em seu mundo cor de rosa.

 
O segundo diferencial são as referências apresentadas na série que remetem a uma grande gama de elementos da cultura pop. A cidade onde Monster High se localiza é Salem, no Alabama, que nos remete a outra Salem, localizada em Massachusetts, conhecida pelos seus polêmicos julgamentos de casos de bruxaria no século XVII. Um vilão na série que está querendo atrair freaks para seu circo de horrores chama-se Barnum , numa referência ao controverso empresário do mundo do circo Phyneas Taylor Barnum, citado em nosso site no texto “Mundo Bizarro”, de Tatiana Lai. Os nomes das alunas do colégio é outro achado: Cleo de Nile, Ghoulia Yelps, Abbey Bominable, Deuce Gorgon... Todos lembram a origem monstruosa de cada um. Só a curiosidade de procurar entender a origem destas referências ampliará bastante os horizontes das fãs.

O sucesso alcançado por Monster High mostra que o contexto dos freaks, a identificação do público com os excluídos, com os que são diferentes da maioria por suas caraterísticas físicas ou sua identidade cultural, ainda vai ter seu espaço garantido na cultura pop, sendo mais uma vez reinventado para a nova geração. Barbie e as Princesas da Disney, estas “normies”, podem não estar com seus dias contados, mas certamente deixaram de ser hegemônicas. Ainda bem!


5 comentários:

  1. Antonio Taveira de Oliveira5 de março de 2013 00:31

    É pra você ver... Como nos admiramos, às vezes, com os mais novos! :D Abraço Amigo!

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  2. Antonio Taveira de Oliveira5 de março de 2013 00:35

    O outro comentário... Também é meu! Vamos ver se já fica aí o meu nome. :) Antonio Taveira de Oliveira.

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  3. Concordo, Antonio. São sempre os mais jovens que procuram quebrar com a mesmice. Eles são a renovação.

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  4. isadora 25 maio de 2014
    22:34
    quero muito ganhar essas coisas das monster high

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  5. isadora 25 maio de 2014
    22:36
    quero muito ganhar essas coisa

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