Ontem, na hora do almoço, resolvi me distrair um pouco - nada como a internet no celular para esses momentos de solidão no meio do café da biblioteca - quando dei de cara com esse post no 9gag. A tirinha, da cartunista sailorswayze, coloca em cena a realidade de "um peso, duas medidas" quando o negócio é quadrinhos:
| A mesma camiseta, dois gêneros |
Mas, calma! Esse post não é sobre meninos e meninas, eu prometo. Talvez seja melhor eu recomeçar, então, com a seguinte frase: Adoro O Senhor dos Anéis, mas não tenho paciência para os livros.
No final das contas, é disso que quero falar: dá para ser fã sem conhecer o material original? Olha ali na tirinha, ele fala "read the comics" - então não dá para conhecer o Lanterna Verde através de algum outro meio? (Não, não estou defendendo o filme com o Ryan Reynolds, não feche a janela!)
Até bem pouco tempo atrás, o número de heróis DC que eu poderia citar de cabeça mal dava para encher uma mão. Sim, eu vi Super Amigos quando era criança, mas, tirando os Super Gêmeos, as minhas lembranças da série são muito, muito vagas. Hoje, Justice League Animated faz parte da minha lista de séries animadas favoritas, Hawkgirl está entre as minhas personagens femininas favoritas e...nunca li um mísero volume de quadrinho da DC na vida.
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| Justice League que eu conheço e Justice League que o Vinícius deve conhecer |
Aí que entram os puristas e dizem que não posso ser fã assim. Eu até bradaria alto contra isso se nunca estivesse estado do outro lado da cerca: eu também - confesso - já duvidei do carinho alheio porque, afinal, não dá para apreciar Harry Potter através das simples adaptações!
Mas ninguém pode negar que o cinema e a televisão tenham um poder atrativo enorme e a Marvel, que não é boba, já entendeu bem o que isso significa em termos de $$. A sequência Homem de Ferro, O Incrível Hulk, Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América mostrou que não só o público dos quadrinhos está aberto para adaptações que fujam do cânone clássico construído pelas histórias impressas, como há todo um novo público a ser conquistado, que se interessa pela mitologia e pelos personagens, mas que não quer ter que se dedicar a centenas de números de revistas para poder descobrir como, afinal, um deus nórdico e um playboy trilhardário juntam forças com outros para defender a Terra. Eu, certamente, prefiro ver Os Vingadores do Whedon uma centena de vezes.
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| E isso sem contar que o filme ainda tem Hawkeye e Blackwidow! |
Então, se fãs novos e fãs antigos nem sempre conseguem se entender muito bem (e nem preciso dizer qual lado tende a implicar mais com qual, certo?), a verdade é que certas adaptações são simplesmente tão boas que fazem mais do que jus ao material original - às vezes elas são até mesmo melhores. O Drácula do Coppola me levou para o Drácula de Bram Stoker - e foi uma decepção. Outros exemplos de versões cinematográficas mais bem-sucedidas ou simplesmente melhores do que o material original não faltam: Dorothy e James Bond, por exemplo. Tubarão, aposto que tem gente que nem sabia que tinha sido um livro (escrito por Peter Benchley), e a mesma coisa com o (infelizmente) pouco conhecido A Princesa Prometida. E para não ficar só nos livros, Constantine pode ser bem diferente de sua fonte, mas é tão bom quanto.
Até o último filme de Crepúsculo, dizem, é melhor do que o original - o que prova que, às vezes, essa tarefa não é exatamente hercúlea.
Ah! E antes que me esqueça: como em tudo que tem a ver com ser fã envolve afetividade, o meu Lanterna Verde é John Stewart. O da animação, é claro.





