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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Frases de Cinema

Desde que o cinema dominou minha vida, algumas frases sempre martelam na minha cabeça. Fiz uma lista muito pessoal com algumas.

Impossível não começar com Casablanca, já que o clássico do diretor Michael Curtiz tem alguns bordões inesquecíveis. O primeiro, “Play it again, Sam”, é um mistério, já que essa frase nunca foi dita. A frase dita pelo personagem de Humphrey Bogart é: “ Play it, Sam. Play As time goes by”. É curioso que uma das falas mais românticas do cinema seja inexistente, e Casablanca ainda tem mais duas frases que não podemos deixar de lado:

Here's looking at you kid - Estou de olho em você, garota.

We will always have Paris - Nós sempre teremos Paris.

A seguir a minha seleção de frases, lemas e bordões marcantes do cinema:

1-"Hasta La Vista, baby." - Exterminador do Futuro 2

2-"I have always depended on the kindness of strangers." (Sempre contei com a bondade de estranhos) - Uma Rua Chamada Pecado

3-"Why so serious!?" (Por que tão sério!?) - O Cavaleiro das Trevas

4-"I'll be back." (Eu voltarei) - Exterminador do Futuro 2

5-"May the force be with you." (Que a força esteja com você) - Guerra nas Estrelas

6-"Here’s Johnny!" (Johnny chegou!) - O Iluminado

7-"Keep your friends close, but your enemies closer." ( Mantenha seus inimigos perto, mas seus inimigos ainda mais perto) - O Poderoso Chefão 2

8-"You talkin’ to me?"( Você está falando comigo?) - Taxi Diver

9-"It’s alive! It’s alive!" (Está vivo! Está vivo) - A Noiva de Frankenstein

10-"Welcome to Fight Club. The first rule of Fight Club is: you do not talk about Fight Club. The second rule of Fight Club is - you DO NOT talk about Fight Club!" (Bem-vindo ao clube da luta. Primeira regra do clube da luta - você não fala sobre o clube da luta. A segunda regra sobre o clube da luta é - você NÃO fala sobre o clube da luta!) - Clube da Luta

11-"I love the smell of napalm in the morning!" (Adoro o cheiro de napalm pela manhã) - Apocalypse Now

12-"Attica! Attica!" (idem) – Um Dia de Cão

13-"My precious!" (Meu tesouro!) – Senhor dos Anéis: As duas torres

14-"As God as my witness, I'll never be hungry again!" (Com Deus por testemunha, eu nunca mais passarei fome!) - ...E O Vento Levou

15-"A census taker once tried to test me. I ate his liver with some fava beans and a nice chianti." (Certa vez, um recenseador tentou me por à prova. Comi o fígado dele com fava e um bom vinho.) - O Silêncio dos Inocentes

16-"E.T. phone home." (E.T. telefone minha casa) -E.T.

17-"Fasten your seatbelts. It's going to be a bumpy night!" (Apertem seus cintos, vai ser uma noite turbulenta!) - A Malvada

18-"I am big. It's the pictures that got small." (Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.) - Crepúsculo dos Deuses

19-"We didn't need dialogue. We had faces!" (Não precisávamos de diálogo. Tínhamos rostos!) - O Crepúsculo dos Deuses

20-"All right, Mr. De Mille. I'm ready for my closeup." (Tudo certo, Sr. DeMille, estou pronta para o close-up) - O Crepúsculo dos Deuses

21-"Well, nobody's perfect." (Bem, ninguém é perfeito) - Quanto Mais Quente Melhor

22-"Life moves pretty fast. If you don't stop and look around once in a while, you could miss it." (A vida passa muito rápido. Se você não parar e olhar em volta de vez em quando, você poderáperdê-la de vista) - Curtindo a Vida Adoidado

23-"If you build it, they will come." (Se você construir, eles virão) - Campo dos Sonhos

24-"I see dead people." (Eu vejo gente morta) - O Sexto Sentido

25-"I. Drink. Your. Milkshake! I drink it up!" ( Eu bebo seu milkshake! Eu bebo todo!) - Sangue Negro

26-"Rosebud." (idem) - Cidadão Kane

27-"There’s no place like home." (Não existe lugar como nosso lar) - O Mágico de Oz

28-"Go ahead, make my Day." (Vá em frente, faça meu dia.) - Impacto Fulminante

29-"All of a sudden she's playing Hamlet's mother." (De repente, ela está representando a mãe de Hamlet) - A Malvada

30-"Hello, Clarice!" (Olá Clarice) - O Silêncio dos Inocentes

31-"Adrian!" (idem) - Rocky, Um Lutador

32-"Yippee-ki-yay, motherfucker." (Yippee-ki-yay, filho da mãe.) - Duro de Matar

33-"Don't you fucking look at me!" (Não olhe pra mim, porra!) - Veludo Azul

34-"Bring me the head of Alfredo Garcia!" (Tragam-me a cabeça de Alfredo Garcia) - Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia

35-"Uh-uh, I don't tip." (Eu não dou gorjetas) - Cães de Aluguel

36-"The way your head works is God's own private mystery." ( Do jeito que sua cabeça funciona, é um mistério divino) - Coração Selvagem

37-"A girl can't read that sort of thing without her lipstick." (Uma garota não pode ler uma coisa dessas sem seu batom) - Bonequinha de Luxo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

AlCast 006: Frases, lemas e bordões.



Lunáticos, ouvintes e leitores, está no ar o sexto episódio do AlCast! Nesta semana, Janu, Juliana Giglio, Thiago Ortman e Mariana Negreiros falam sobre frases, lemas e bordões.

Lembrando que, caso você queira participar via Skype do próximo AlCast, tudo o que você precisa fazer é deixar seu contato nos comentários.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os ditos de um velho patife




Quando penso em frasistas na literatura de ficção científica sempre me vem à mente não um autor, mas um personagem: o longevo Lazurus Long, uma das grandes criações de Robert A. Heinlein, considerado um dos “três grandes” da FC (ao lado de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke). Com suas aventuras e casos pitorescos, o personagem é o ponto alto e mais polêmico da série de contos e romances conhecida como “A História do Futuro”, que o autor publicou ao longo de toda a sua carreira literária e que analisa as possíveis alterações sociais que o progresso científico traz para a humanidade ao questionar valores tradicionais de nossa sociedade.

Lazarus Long é o mais usual dos muitos nomes assumidos por Woodrow Wilson Smith ao longo de seus mais de 2 mil anos de vida. Ele nasceu em 1912 e pertence à terceira geração de uma experiência de eugenia que visava o prolongamento da vida humana. Caso único entre as outras cobaias geradas pela experiência, sua vida foi estendida ainda mais por técnicas de rejuvenescimento descobertas séculos mais tarde.



Com espírito aventureiro e desbravador, Lazarus trabalhou em quase todas as profissões conhecidas, esteve presente em diversos momentos históricos e protagonizou episódios chaves do processo de colonização humana da galáxia. Seu biógrafo oficial não o define de forma lisonjeira (“Está claro que este homem é, pelos padrões habituais das sociedades civilizadas, um bárbaro e um patife”), mas sua personalidade cativante e libertária, e sua própria noção de ética, o tornam tão lendário quanto sua longa vida.

Lazarus faz sua estreia no livro “Os Filhos de Matusalém”, tem sua vida esmiuçada em “Amor Sem Limites” e é um personagem secundário em “The Number of the Beast” (“O Número do Monstro”, lançado apenas em Portugal), “O Gato que Atravessa Paredes” e “The Sail Beyond the Sunset”, o último livro de Heinlein publicado em vida. A fama do personagem é tão grande entre os fãs de FC que dois intervalos de “Amor Sem Limites”, reunindo citações, lições de vida, aforismos e algumas de suas considerações filosóficas, formaram uma obra à parte: “The Notebooks of Lazarus Long”, usado como livro de cabeceira por muita gente. As frases de Lazarus Long contidas nesta obra dizem muito de seu caráter e de seu sucesso.




“Se algo não puder ser expresso em número, não é ciência. É opinião”.

“De todos os crimes estranhos sobre os quais os seres humanos legislaram a partir do nada, a “blasfêmia” é o mais espantoso – com a “obscenidade” e a “exposição indecente” lutando pelos segundo e terceiros lugares”.

“Você pode ter paz. Ou ter liberdade. Não espere nunca ter ambas ao mesmo tempo”.

“Quando um lugar fica suficientemente cheio de gente para exigir carteiras de identidade, o colapso social não está longe. É hora de ir para outro lugar. A melhor coisa da viagem espacial é que ela torna possível ir para algum outro lugar”.

“A verdade de uma proposição nada tem a ver com sua credibilidade. E vice-versa”.

“A gente vive e aprende. Ou não vive muito”.

“Diga sempre que ela é linda, especialmente se ela não for”.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Puro divertimento sem mea culpa


Quando saiu a notícia de que Tintin viraria um filme em motion capture, admito que fui uma das primeiras a ficar com os dois pés atrás. A série animada das aventuras de Tintin, exibida pela TVE, fez parte da minha infância e eu achava os traços simples incrivelmente expressivos. Então, falar de Tintin adaptado para uma tecnologia tão nova me deixou com receio do resultado. Era praticamente como se falassem que fariam uma versão live action da Turma da Mônica.

Porém, depois de ver o filme, me juntei aos críticos que viram na versão Jackson/Spielberg uma adaptação fiel ao material original, sem perder em originalidade nem modernidade. Mas saí do cinema pensando em um detalhe do filme que me chamou atenção.

Acho que ninguém vai negar que estamos praticamente sob a ditadura do politicamente correto. “Comam seus vegetais”, “façam seu dever de casa” e “não assistam a desenhos violentos” (como, por exemplo, Tom & Jerry, que envolve inúmeras situações de violência contra os animais).

Então, quando Tintin saca um revólver e não tem problema em usá-lo, confesso que me surpreendi. Esperei pacientemente que isso se tornasse um dilema moral para o herói, um perigo para seus companheiros ou que ele logo exprimisse como “detestava recorrer a armas”. Afinal, estamos falando de um filme infantil, certo? Mas a tal lição não veio e o Tintin em 3D, exatamente como o Tintin em 2D, pôde seguir seu caminho, depois de alguns tiros, sem dor na consciência.

Isso pode ser simples respeito pelo material original: na década de 30, quando as revistas foram inicialmente publicadas, o uso de armas de fogo não chegava sequer a ser um tema polêmico (aliás, elas eram parte importante da imagem do homem viril, extremamente popular desde o século XIX). É importante lembrar que, em “Tintin no Congo”, Hergé fala sem pudores sobre a “inferioridade da raça negra” (até o cachorro Milu é mais inteligente do que os nativos). Anos depois, quando a Europa saía do neocolonialismo e precisava lidar com seus próprios fantasmas, Hergé reviu seus conceitos e acrescentou um prefácio ao álbum, explicando a seus novos leitores o contexto de produção daquela história em particular.

Por outro lado, os tiros de Tintin se parecem muito com os de outro herói de Spielberg: Indiana Jones. Não só isso, o filme inteiro exala aquela aura dos filmes de aventura da década de 80: um certo desapego das preocupações quotidianas e de “questões políticas”, um exclusivo compromisso com o divertimento do público.

Qualquer que seja o motivo, estou aliviada: em uma época onde quase todo filme de ação parece vir com um tratado de mea culpa (sim, Avatar, estou olhando para você), é um refresco ir ao cinema e simplesmente me divertir.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Pés descalços e chão gelado, depois de uma noite de sonhos.



A viagem de Ronaldo Fraga pelo Rio São Francisco, em 2008, foi uma proposta encantadora desde o início, quando o estilista embarcou por três meses em busca de referências para suas criações, até seu desdobramento final - a exposição Rio São Francisco - Navegado por Ronaldo Fraga, em exibição no Palácio Gustavo Capanema, no Centro do Rio de Janeiro.

Banhado por suas águas desde a infância, como ele expõe ao falar de sua peregrinação, era desejo encubado estar lá, de volta, para descobrir os mistérios do Velho Chico e fazer dele, assim, uma coleção de moda. O resultado foi glorioso e ainda deu direito ao belo bônus da exposição.




A mostra, inaugurada em 2010, passará por 12 diferentes cidades no Brasil. Começou em Belo Horizonte, onde nasceu Ronaldo, depois rumou para São Paulo e agora desemboca aqui, no Rio de Janeiro, onde fica até 10 de fevereiro. Depois, segue viagem mais uma vez.

Ao subir a escadaria que leva ao saguão da exposição, me deparei com um mar de coloridos peixinhos, feitos de garrafas PET, que se espalhavam pelo teto. Diante daquela cena, não pude deixar de perceber a ironia: os peixes me encaravam de cima e eu, esmagada por aquela massa, sentia-me pequena.

E assim o espectador pode ir navegando, guiado pelas diferentes texturas no chão, através dos 14 ambientes interligados que representam os 2873 km de extensão do rio.

Depois de passar pelo cardume no teto, entramos no corredor que percorre grande parte do salão. Na parede, um mapa de 12 m de comprimento situa o expectador no Velho Chico e ilustra as 15 principais cidades que tocam suas bordas. Ao passar pelos ambientes seguintes, cada qual com suas atrações, tive a sensação de estar me aprofundando, cada vez mais, por um caminho sem volta.

Nas paredes, imagens do fotógrafo Marcel Gautherot, cedidas pelo Instituto Moreira Salles, traziam para a realidade o que a imaginação vinha talhando, enquanto vozes de desconhecidos, saídas de televisores antigos em meio a malas de um couro rançoso, entoavam canções melancólicas.

No fim do corredor, Carcará, a canção de João do Vale, que lançou Maria Bethânia, se entrelaçava a melodias populares, anunciando o ponto alto da exposição. Pendendo do teto, vestidos bordados contavam a história do rio, de seu povo e da coleção de moda que foi, afinal, o objetivo da viagem orginal. É como se Ronaldo levasse, muito lentamente, o espectador a mergulhar em seu processo criativo para, depois, revelar a sua obra.


A viagem segue e, depois do respiro, somos convidados a colocar a cabeça dentro da água e nos deixar levar novamente. Passando por paredes ilustradas com lendas regionais, vestidos com a voz de Maria Bethânia, que declama o poema Águas e Mágoas do Rio São Francisco, de Drummond, chegamos à saleta Cidades Submersas. Ali, um vídeo narrado por Wagner Moura conta a história dos últimos minutos da cidade de Rodela, inundada para a construção da hidroelétrica de Itaparica, em 1988, enquanto pequenas casinhas cor de barro enfeitam o chão espelhado.

Ao sair da exposição, senti-me voltando, aos poucos, de um lugar que não conhecia. Como colocar os pés no chão gelado depois de uma longa noite de sonhos. Ronaldo faz isso com seus desfiles, sempre fez. E conseguiu mais uma vez, ao me levar em seu barco pelo rio fantasioso em que viveu durante algum tempo. Valeu a viagem.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Último show

Este blog estava preste a receber um texto sobre os artistas sulamericanos que tenho escutado nos últimos tempos. Mas a última terça-feira (dia 08) causou uma mudança. Acho que não só para mim, como para muitos que estiveram presentes no Circo Voador para assistir a segunda noite do “Eu Quero Festival”, realizado pelo grupo Queremos, com a apresentação de quatro grupos: Banda Baleia; Toro y Moi, Bombay Bicycle Club e Broken Social Scene.

Eu poderia falar sobre o show de cada um deles, mas não cheguei a tempo para assistir a Banda Baleia - grupo de um amigo que faz versões bacanas numa pegada jazz-pop. E pouco conhecia os dois grupos a seguir, embora Toro y Moi tenha me chamado atenção em alguns momentos. Não vou falar do festival em si, nem fazer uma avaliação crítica dos shows... então o que eu quero afinal? Quero revelar como foi a sensação de presenciar o fim de um projeto artístico: o último show do Broken Social Scene.





Antes de chegar ao mérito da questão, vale explicar o que é o Broken Social Scene, afinal, apesar de contar com fãs do Circo, o grupo não tem tanto renome por aqui. No início do século, houve um boom de grupos de indie rock e pós-rock no Canadá. Entre eles surgiu o BSS, um dos mais interessantes, tanto musical como conceitualmente. O coletivo é composto por uma reunião de músicos procedentes de diversas outras bandas canadenses – então, podemos entendê-lo como uma síntese do movimento musical do Canadá nos últimos anos. Também é importante comentar que foi o grupo que revelou a Feist, uma das cantoras mais bem sucedidas do país.





Agora, podemos voltar ao assunto que justifica o texto: apesar de já ter meu ingresso garantido com antecedência, só fiquei sabendo do “hiato por tempo indeterminado”, quando li “os motivos” para assistir o show no e-mail do Queremos. Mesmo com essa noção, nenhuma expectativa daria conta do que eu assisti: desde o primeiro momento, ouvia-se Kevin Drew, o fundador do grupo (junto com o baixista Brandon Canning), bradando que era “the last show”. E com o passar do espetáculo a informação ia dando lugar a um sentimento de melancolia. O grupo parecia criar mais e mais energia, não se sabe de onde. No meio do show, Brandon Canning comentou, em tom bem humorado, que eles tocariam por mais 1 hora e meia. A piada era pura verdade: foram 2 horas e meia de som.

No retorno para o primeiro bis da noite, Kevin Drew avisou que cantaria tal música por nós: assim começam os primeiros riffs de “Almost Crime”, uma das melhores canções da banda, pouco executada na turnê desse ano. Mas é o último show, vale tudo, e eles retornaram para mais dois bis. Antes do último, todos eles se agruparam na entrada do backstage, pareciam decidir sobre o ato de “voltar”. Nenhum componente parecia ter vontade de ver o show acabar.

O relógio se aproximava das 2 da madrugada de quarta-feira. Aos poucos o Circo foi esvaziando: os trabalhadores precisavam ir pra cama. Eu fiquei, subi para a arquibancada do segundo andar. Pela primeira vez, presenciei uma banda “vencendo” o público, e de modo algum aquilo foi ruim. Em meio a covers de Modest Mouse, Beastie Boys, uma versão a cappela de Kevin Drew da canção “I Still Haven't Found What I'm Looking For” do U2, o BSS parecia bem a vontade fazendo a vontade dos fãs, e a sua própria. Fechando o show com a agradável faixa instrumental “Pacific Theme”, os oito sairam apressadamente do palco. O ato me pareceu a maneira mais saudável para uma despedida...





No retorno para casa foi inevitável ficar refletindo a cerca daquele fim. Mesmo que seja um intervalo longo, e os membros do Broken Social Scene tenham outros grupos, fico pensando que encerrar a carreira artística, qualquer que seja ela deve ser um fardo. Como músicos solo, eles podem voltar quando quiser... Para cineastas, pintores, escritores: idem. Para uma banda, certamente não é igual, mesmo que ela retorne desfalcada... nunca mais soará igual - seja para os fãs, ou para o próprio conjunto. A saída súbita do palco, após um dos shows mais longos que assisti, tinha de ser consentida.



P.S. 1: Como carioca, considero obrigatório agradecer aos esforços do Queremos e a todos os nomes impressos no posters comemorativo do “Eu Quero Festival”, por trazer o grupo para o Rio. Afinal, se não fosse por eles, o Broken Social Scene finalizaria sua vida útil em uma rápida apresentação de 11 músicas no Festival Planeta Terra, em São Paulo.

P.S. 2: Caso meu texto não tenha atendido as expectativas de saber como realmente foi o show, segue uma nota do pitchfork com alguns vídeos e um artigo do Virgula contando a segunda noite do festival detalhadamente:

Nota da Pitchfork + vídeos

Broken Social Scene se despede dos palcos com show catártico no Rio de Janeiro

P.S. 3: Para você que ficou curioso com o texto sobre os “hermanos”, peço que aguarde até a minha próxima postagem. Fica aqui a promessa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O estranho fascínio pelo macabro

Há pouco mais de uma semana John Malkovich interpretou, no Brasil, o assassino em série Johann Unterweger. Conhecido por estrangular prostitutas com seus sutiãs, Johann foi condenado e chegou a escrever “Purgatório, uma viagem ao cárcere” durante sua sentença, mas foi perdoado e libertado ao convencer a sociedade austríaca de sua reabilitação. Em um ano de liberdade, Unterweger repetiu seu modus operandi com mais seis moças, mas as autoridades locais não descobririam à tempo.

Ao pisar em Los Angeles, à pedido de uma revista austríaca, Johann passou a ser chamado de Jack, e começou a escrever sobre os crimes locais envolvendo prostitutas. “Jack” Unterweger fez mais três vítimas, foi enviado à sua terra natal e condenado, mas se suicidou assim que foi posto em confinamento.

Johann "Jack" Unterweger exibindo suas tatuagens

É exatamente esta pessoa que John Malkovich decide encarnar para desdobrar todo o emaranhado complexo de pensamentos e atitudes de um sujeito que ora parece nos atrair, ora nos repele. Se buscarmos em nossos quintais aquilo que torna o macabro tão fascinante, vamos encontrar duas histórias de extremo terror e inconvenientemente brasileiras.

A primeira conta a história de José Ramos e Catarina Palsen, conhecida como “Os Crimes da Rua Arvoredo”, ocorrido em 1864 na cidade de Porto Alegre, RS. José, inspetor da polícia de Santa Catarina, alega ter comprado o açougue de Karl Gottlieb Klaussner, seu velho amigo. O ex-proprietário, sumido há alguns meses, supostamente voltara à Saxônia. Ninguém imaginava que José, para defender sua mãe dos ataques do pai, o havia matado anos atrás e parecia ter certo jeito pra coisa.



Durante uma noite de gala no Theatro São Pedro, José, homem de hábitos refinados, sempre muito bem vestido, conhece Catarina Palsen, prostituta húngara de beleza indiscutível e os dois descem uma espiral de assassinatos em série que explica o destino de Karl Klaussner e a morte de dezenas de alemães, caixeiros viajantes e quem mais passasse pelo seu caminho. O que torna essa história tão absurda é o destino dos corpos – linguiças de carne humana vendidas na região. Caso você ainda queira saber mais, leia “O Maior Crime da Terra”, do historiador, jornalista e ensaísta Décio Freitas ou a matéria do jornalista Augusto Fischer chamada “O maníaco do açougue de Porto Alegre”.



A segunda história conta um lado esquecido do Rio de Janeiro antigo, talvez por ser tão maldito. O violento incêndio do casario da Travessa do Mercado, em 1790, fez do Arco do Telles o lar de figuras como a prostituta Bárbara. Portuguesa, a moça chegou ao Brasil acompanhada do esposo, mas logo que se apaixonou por outro homem, matou o primeiro.

Assim começam as lendas, mas nos registros do Intendente Geral da Polícia, desembargador Paulo Fernandes Vianna, a mulher, chamada de ‘Bárbara dos Prazeres’, ou somente de ‘Onça’, sofria dos sintomas violentos de um estágio avançado de sífilis e sua aparência havia se tornado terrível. Como forma de retardar este processo, a mulher roubava crianças da Roda dos Enjeitados da Santa Casa, as matava e supostamente se banhava em sangue, como maneira de tomar de volta sua beleza e juventude.

Arco do Telles, já durante o século XX.